17 / dez / 2025

Entrevista | The Curated Lisbon

 

 

 

Emilia Brandão Carneiro (São Paulo, 1982) é uma fotógrafa brasileira radicada em Portugal cujo trabalho explora identidade, divindade e psicologia por meio de retratos íntimos e narrativas autobiográficas. Trabalhando com fotografia digital e analógica de médio formato, inspira-se no pictorialismo e no surrealismo, desenvolvendo uma linguagem visual enraizada na introspecção e na profundidade emocional. Ao longo de mais de vinte anos, sua prática se desdobrou em histórias sensíveis e pessoais que refletem sua própria jornada de cura e autorreflexão.

Embaixadora da LEICA desde 2020, Brandão teve seu trabalho publicado em Vogue, Art News, ELLE, El Mundo e Marie Claire, e colaborou com Vogue, GQ, Elle e Glamour. É formada em Cinema pela FAAP (São Paulo) e possui Mestrado em Fotografia pela EFTI (Madrid).

Entre suas exposições individuais mais recentes estão Acervo Migratório (São Paulo, 2025), Sentimental Journey (Madrid, 2022) e Time to Heal (Madrid e Logroño, 2020–2021). Participou de festivais internacionais, como Open Walls do British Journal of Photography em Arles (2023) e a Barcelona Foto Biennale (2022), e recebeu o Open Walls Arles Award 2023. Seu trabalho já foi exibido no Brasil, Espanha, Alemanha, França e Portugal, e integra diversas coleções privadas.


Como os temas de cura e autoexploração se manifestam no seu processo fotográfico?

Vejo a vida como uma jornada contínua de aprendizagem… Toda a minha filosofia de vida se baseia na ideia de que estamos aqui, nesta existência, para aprender. As lições estão nos desafios e experiências do cotidiano, mas cabe a nós percebê-las, olhar para dentro e ter coragem de aprender com elas. Assim, os temas para mim são as histórias que se desenrolam na minha vida pessoal, os sinais que minha intuição capta e decide observar mais de perto. A fotografia me ajuda a observar a vida dessa forma — mais atenta e próxima das lições que ela oferece.

Suas imagens muitas vezes têm uma forte aura feminina — qual é o papel da energia feminina na sua visão criativa?

Acredito que todos carregamos energias masculina e feminina, e quando permiti que minha energia feminina tivesse uma voz mais forte na minha vida, meu trabalho artístico começou a fluir de forma mais intuitiva, vindo de um lugar introspectivo e permitindo momentos mais contemplativos. Senti-me mais conectada comigo mesma, com a natureza e aberta aos mistérios e milagres da vida. É assim que percebo o papel da minha energia feminina na criação.

De onde vêm suas inspirações emocionais ou espirituais ao criar novos trabalhos?

É simplesmente o ar que eu respiro, meu modo de ser, o motor que me guia na experiência do mundo. Sou profundamente sensível à energia, às emoções e às atmosferas, e essa sensibilidade molda naturalmente meu processo criativo. Talvez tenha a ver com ser brasileira, viver conectada ao coração e à alma… Só sei que não conseguiria criar de outra forma — não seria autêntico.

Como seria seu dia ideal dedicado à arte e cultura em Lisboa?

Incluiria bibliotecas, galerias e museus.

Que novas ideias ou séries você está desenvolvendo neste momento, e que emoções estão guiando esse processo?

Meu próximo projeto será apresentado em Paris no início de novembro pela primeira vez. Passei cinco anos desenvolvendo-o e agora ele está finalmente completo. Trata-se de uma série de autorretratos explorando minha conexão com a natureza — meu primeiro encontro com a energia que muitos chamam de Mãe Terra. Ao longo desse processo, descobri o quanto essa conexão pode ser profundamente curativa. O projeto tornou-se um diálogo entre meu corpo e o mundo natural, entre a quietude e a transformação.