EXPOSIÇÕES

Exposição individual, LACS | Sentimental Journey. Cascais/Portugal, 2025

“Durante três anos, os cisnes do Sena tornaram-se companheiros silenciosos de Emilia em sua jornada de luto, maternidade e adaptação. Atravessando desafios pessoais, ela encontrou nessas aves uma metáfora para sua própria trajetória: seres imponentes, mas vulneráveis, que flutuam entre a solidez e o fluxo. A cada dia, os movimentos dos cisnes no rio desenhavam uma coreografia espontânea, ora elegante, ora desconcertante, ecoando a imperfeição da existência. Os registros, capturados em preto e branco com múltiplas exposições, desconstroem a idealização dos cisnes como ícones de graciosidade absoluta. Algumas imagens revelam momentos de torção e desordem, ressaltando que a beleza também reside na assimetria e na inconstância. A estética difusa das fotografias traduz a percepção da artista naquele período em que vivia uma jornada entre os universos interior e exterior. Trazidos da Dinamarca e da Suécia por Luís XIV, que desejava admirar os animais em sua Paris, os herdeiros daqueles cisnes permanecem na ilha à qual dão nome, como um testemunho sobre a permanência e a transformação. Ao transitar entre a contemplação e o afeto, Sentimental Journey parte de um olhar pessoal e meditativo capaz e convida a reconhecer o divino no ordinário. Aqui, a fotografia se torna um gesto de devoção à passagem do tempo e à beleza daquilo que é cotidiano.”

Luiza Testa, curadora

 


Exposição coletiva, BNP Paribas | Memória, identidade e território. São Paulo/Brasil, 2025

 

Memória, Identidade e Território

“Entre o íntimo e o coletivo, entre o lugar vivido e o imaginado, a memória de natureza mutável e a identidade individual e compartilhada, constroem territórios que transcendem a geografia, desdobrando-se em espaços de pertencimento, afeto e narrativa. A exposição Memória, Identidade e Território reúne obras de Emilia Brandão Carneiro e Gabriela Stragliotto, que, em seus universos poéticos, revelam diferentes formas de habitar e inscrever o mundo. Neste encontro, somos convidados a revisitar lugares, reimaginar histórias e reconhecer a memória como força vital na tessitura do sujeito e do coletivo, desafiando-nos a ocupar territórios em constante transformação.

Nas fotografias de Emilia Brandão Carneiro, o território emerge como extensão da sensibilidade. Em Sentimental Journey (2016–2019), cisnes deslizam pelas águas do Rio Sena, junto à Ilha de La Jatte, em Paris. Envoltos por névoa e silêncio, seus corpos suspensos condensam a poética do intervalo que atravessa sua obra: aquilo que não se fixa, mas persiste. O uso da película em preto e branco, das múltiplas exposições e do meio formato acentua essa estética da suspensão, em que o tempo se dilata e a memória se deposita em camadas sutis. Mais que registros, suas imagens são pausas: fragmentos que revelam afetos invisíveis entre espaço e experiência. Esse olhar contemplativo também se manifesta em Berni (2020–2022), que acompanha os últimos dias de um cavalo de salto profissional, aposentado entre Portugal e França. O corpo animal, em fim de ciclo, funde-se à paisagem em um silêncio ritual. Em Performance of a Dream (2018), a floresta de Fontainebleau torna-se cenário para uma coreografia filmada e fotografada, em colaboração com Marina Droghetti e Lital Weizman, dissolvendo fronteiras entre corpo, natureza e imaginação. Já em Paris Glacial (2017), uma forte nevasca transforma a cidade em paisagem deserta e suspensa, reforçando a atmosfera que atravessa toda a sua produção.

Nas obras de Gabriela Stragliotto, a memória assume contornos oníricos e espectrais. Suas pinturas, desenhos e instalações constroem paisagens habitadas por figuras anônimas, presenças em trânsito entre o aparecer e o desaparecer. Nascida no interior do Rio Grande do Sul, com vivências em centros urbanos e formação em arte e cinema, a artista desenvolve um léxico visual próprio, estruturado em séries que se repetem, se diluem ou se transformam. Sua poética reflete o deslocamento e a impermanência como aspectos centrais da identidade e da experiência contemporânea. Memória, Identidade e Território convida o público a percorrer esses caminhos entre margens de rios, cidades distantes e paisagens produzidas, reconhecendo nos rastros deixados pelas artistas algo de si: uma imagem, uma sensação, uma história que também nos atravessa. Ao entrelaçar lembrança, subjetividade e espaço, a exposição reafirma o território como campo simbólico e sensível, onde experiências se inscrevem e se reconfiguram. As obras operam como cartografias afetivas que revelam modos de estar no mundo: sempre em trânsito, sempre em transformação.”

Nuria Vieira, curadora

 


Exposição coletiva, Galeria MOVART | Girls just wanna have fun. Lisboa/Portugal, 2025

Girls Just Wanna Have Fun transforma o brincar em poder, o riso em linguagem e a criatividade em comunidade. Quando mulheres criam juntas, alimentam a energia, as histórias e os sonhos umas das outras. Inventam novos mundos onde a beleza, a coragem e a curiosidade se entrelaçam. A colaboração torna-se empoderamento; o ato criativo torna-se celebração.

As obras em exibição refletem um universo onde a intuição encontra a memória, a matéria encontra o mito e a emoção encontra a liberdade. Do íntimo ao político, do lúdico ao profundo, cada artista acrescenta a sua voz única a uma sinfonia coletiva da criação feminina. Neste espaço, a beleza toma forma através da alegria, a criatividade multiplica-se pela conexão e a presença feminina deixa de ser exceção para tornar-se regra.”

Federica Elena, curadora

 


Exposição individual, Galeria Caribé | Acervo Migratório. São Paulo/Brasil, 2025

Acervo Migratório

“Migrar, imigrar, emigrar: tantas rotas possíveis exigiram palavras distintas para capturar as sutilezas do movimento. Os fluxos migratórios transformam o mundo: desde os primeiros passos para fora da África até hoje, atravessar fronteiras serve de pretexto para guerras e é consequência delas, desata ou estreita laços, promove mudanças culturais e evidencia nossa assombrosa capacidade de adaptação.

Se conquistar o exterior sempre foi uma constante humana, no século XX surge, com Freud, um vetor para dentro: o inconsciente. Em Acervo Migratório, esses dois movimentos coexistem. Um pulsa mundo afora; o outro percorre a introspecção – o ato de migrar para dentro de si.

A exposição reúne séries fotográficas distintas, unidas pelo deslocamento entre interior e exterior. O cavalo Berni se readapta à vida selvagem após anos no esporte, contrastando com os cisnes que Luís XIV mandou trazer da Escandinávia para Paris. Na mesma cidade, Emilia registrou o encontro da primavera com o inverno nas cerejeiras japonesas (When Winter Met Spring) e um inverno excepcionalmente longo (Paris Glacial). Uma bailarina revolve em piruetas e percorre o mundo, buscando integrar-se ao ambiente em um Pas de Deux com a fotógrafa, que transita entre cidade e natureza, entre o eu e o outro em Performance of a Dream e Study of the Sun.

As obras aqui expostas formam um mapa que reflete direções geográficas e jornadas internas. Em Acervo Migratório, migrar não é apenas mudar de lugar, mas reorganizar memórias e transformar realidades, em um movimento que atravessa fronteiras físicas e da própria consciência, reforçando a certeza de que, sem deslocamento, não há transformação.”

Luiza Testa, curadora

 


Exposição individual, Galeria F&deO | Sentimental Journey. Madri/Espanha, 2022

 

Sentimental Journey

Sentimental Journey apresenta uma série de fotografias em preto e branco retratando cisnes no Sena, em Paris. Pode soar um pouco clichê, mas é precisamente isso que torna este projeto fascinante. Há imagens que mostram algo diferente do que esperaríamos: um cisne que se contorce, com um aspecto feio, algo perturbado, desafiando a imagem convencional que associamos a essas aves graciosas. Também notamos, naturalmente, a “assinatura Brandão”: a habitual ternura e generosidade em seu olhar (que pode ter sido o que chamou a atenção dos curadores da PhotoVogue, que premiaram quatro imagens da série).

No entanto, de modo geral, nesta exposição, essa brasileira que adotou Madrid como sua casa nos transmite uma sensação de familiaridade. Como ir a um concerto de um músico ou compositor que conhecemos bem. Ver um balé, uma peça de teatro ou um filme pela décima vez. Estar com pessoas próximas e íntimas. Comer comida comum. No passado, poderíamos ter usado o termo “clássico”, que significa “muito típico”, familiar. Alguns dirão que é entediante, mas o familiar é o que nos fundamenta, o que nos reconforta. Em um mundo obcecado pela novidade, Brandão nos apresenta imagens que encontram seu valor na representação daquilo que já conhecemos.

O tema e a técnica podem parecer ordinários, comuns, mas o resultado, ao contrário, é romântico, encantador, especial. Com Sentimental Journey, Brandão nos convida a recalibrar nossos valores. Sua obra indica que o especial não está no novo, mas no familiar. A artista escolhe a reflexão e a introspecção em vez da distração. E, ao fazê-lo, nos presenteia com imagens que nos fazem sonhar.”

Ana Araújo, curadora

 


Exposição individual, LEICA Gallery | Time to Heal. Madri/Espanha, 2020

 

““O tempo de cura” é uma homenagem aos profissionais de saúde que enfrentam na linha de frente um inimigo invisível. Realizado durante os meses de março e abril de 2020, em hospitais de Madrid, 150 profissionais uniram-se a este projeto pessoal da fotógrafa Emilia Brandão (São Paulo/Brasil, 1982).

“Em meados do mês de março, em Madrid, minha cidade de adoção, minha vida, assim como a do restante da humanidade, mudou radicalmente por causa do surgimento do vírus da covid-19. Enquanto vivia confinada com minha família em casa, senti uma urgência de querer ajudar e retratar aqueles que combatiam o vírus na linha de frente, chamados heróis.”

O objetivo deste projeto é retratar a equipe hospitalar de todos os departamentos dos hospitais de Madrid, que estão lutando e sacrificando suas vidas para salvar e curar milhares de pessoas da covid-19. Um exemplo de coragem e humanidade diante da crise sanitária que vivemos, que oferece um processo de cura social e nos lembra que somente unidos poderemos vencer esta pandemia.

Para produzir “O tempo de cura”, foi instalado um estúdio fotográfico durante vários dias dentro de cada hospital. Em cada um deles, realizava-se uma convocatória, e os profissionais que desejavam participar do projeto passavam pelo estúdio em seus momentos de descanso durante seus turnos de trabalho.

“Enquanto trabalhavam dias e horas sem descanso, em constante ação, sem tempo nem energia para assimilar tudo o que estavam vivendo internamente, eu lhes oferecia uma pausa, uma cadeira sob minha luz para conhecê-los e ouvir como se sentiam. Ao convidá-los a um momento de tranquilidade e introspecção, muitos se conectavam com suas emoções pela primeira vez desde o início da pandemia. Longe da imagem heroica que carregavam, pude ver de perto a natureza vulnerável desses seres humanos, que se diferenciam dos demais por terem como dever a cura e o cuidado.”

“Acredito que um retrato tem a força de um aplauso, e sentia que precisavam desse reconhecimento. Queria dar-lhes rostos e nomes, gerar memórias para algumas das pessoas que viveram de perto a luta contra o vírus. Confiava no poder clássico da fotografia de gerar valor com o passar do tempo, para que pudessem olhar essas fotos e guardá-las como lembrança do que viveram, e para que os retratos fossem suas marcas, registradas para sempre neste momento histórico mundial.”

Graças ao apoio de três hospitais madrilenos — Universitario Puerta del Hierro Majadahonda, Gregorio Marañón e Universitario del Sureste — que abriram suas portas, hoje “O tempo de cura” é uma realidade.”

 

Emilia Brandão Carneiro, artista


Exposição individual, Casa de la Imagen | Time to Heal. Logroño/Espanha, 2021

 

 


Exposição coletiva, Galeria F&deO | Catalogue. Madri/Espanha, 2022

 

 


Exposição coletiva, RE|Space | South.Southwest. Berlim/Alemanha, 2020

 

As obras da coleção South.Southwest exibidas na galeria re|space, em Berlim, constituem um recorte visual curado da identidade latino-americana. A paleta visual é tão diversa quanto os povos da América Latina, retratando cultura, natureza, folclore e o cotidiano. Esta coleção de fotografia fine art foi reunida pelos artistas Sebastián Liste, Christina de Middel, Álvaro Ybarra Zavala, Laura León, Jesús Rocandio, Adriana Zehbrauskas, Stephen Ferry, Tomás Munita e Emilia Brandão para evidenciar a força da fotografia latino-americana contemporânea. Como fotógrafos, os artistas contam com o patrocínio da Leica Iberia, trabalharam extensivamente com agências de fotografia mundialmente renomadas, como Magnum e Getty Images, estão representados em importantes coleções de arte, como a do Metropolitan Museum de Nova York, e foram publicados em grandes veículos internacionais, como a revista Time.

Embora parcialmente derivadas de projetos de fotografia documental, as obras desta coleção foram selecionadas por seu valor artístico singular. O que distingue esta coleção da fotografia documental é a abordagem artística. Não é apenas o tema das fotografias que demanda um contexto de belas-artes, mas também o estilo e a composição. A grande escala de muitas das obras, montadas e emolduradas, exige a atenção do espectador de maneira semelhante a uma pintura histórica. Da mesma forma, os dípticos menores fazem referência a modos de exibição comuns em galerias nacionais. Cada obra contribui para a narrativa visual que constitui a coleção South.Southwest. Por vezes atmosféricas, por vezes poéticas, por vezes biográficas, as obras documentam e celebram uma visão latino-americana contemporânea sobre a vida.

O que torna esta coleção fotográfica tão singular é o fato de que cada obra é uma impressão em edição única, com procedência incontestável. Isso é garantido por um processo de identificação em quatro etapas, envolvendo a certificação pela Leica, pelo fotógrafo, pela galeria e pelo comprador. O comprador adquire os direitos exclusivos sobre uma obra que enriquecerá qualquer coleção de fotografia. Por meio de seu patrocínio, o colecionador torna-se um agente fundamental na preservação e no futuro da coleção South.Southwest, que segue em constante expansão.

A exposição, apresentada exclusivamente na galeria re|space, em Berlim, marca a estreia mundial da coleção. Com o objetivo de levar a fotografia latino-americana contemporânea a um público mais amplo, a mostra sediada em Berlim — cidade que abriga pessoas de cerca de 190 nações — permite que as obras sejam vistas de perto por entusiastas da arte e da fotografia de todo o mundo. Isso amplia não apenas o alcance da própria coleção, mas também o intercâmbio cultural entre a América Latina e o restante do mundo. As obras da coleção South.Southwest escolhidas para esta exposição compartilham uma profunda conexão com a vida na América Latina. Embora seja a primeira vez que as obras da coleção South.Southwest sejam exibidas publicamente, a coleção está em constante crescimento e, assim, cada obra passa a integrar seu legado.


Exposição coletiva, Galerie Huit – British Journal of Photography | OpenWalls Arles. Arles/França, 2023