EL MUNDO | ESPANHA
O Tempo de Cura: uma homenagem aos nossos profissionais de saúde por sua luta contra a pandemia
Lágrimas, olhares perdidos, lampejos de frustração, esgares de desespero… A fotógrafa Emilia Brandão captura o colapso causado pela covid, mas não o colapso de um sistema de saúde, e sim o colapso dessas pessoas que chamamos de heróis.
Durante a primeira onda da pandemia, nossos aplausos romperam o silêncio de cidades confinadas e assustadas. Era a nossa forma de nos animarmos uns aos outros e de encorajar os profissionais de saúde na luta contra o coronavírus. Os meses de março e abril foram uma sucessão de notícias sobre mortes em casas de repouso, milhares de internações diárias e centenas de óbitos, com as UTIs sobrecarregadas…
Diante dessa situação, a fotógrafa brasileira Emilia Brandão pegou uma câmera, com o apoio da Leica e da ONG Médicos do Mundo, e entrou nos hospitais para retratar os heróis de uniforme que estavam na linha de frente da batalha. “Foi a minha maneira de devolver a esta cidade e a este país um pouco do que eles me deram”, explica. Assim nasceu a exposição Time to Heal: Retratos de profissionais de saúde na batalha contra a covid-19, que fica na Leica Gallery, na rua José Ortega y Gasset, 34, até 12 de novembro.
O objetivo da autora era transmitir o que acontecia durante a pandemia e o colapso da saúde por meio dos trabalhadores dos hospitais. “Entendi que esse era o melhor lugar porque foi onde o coronavírus nivelou todo mundo.” Da faxineira ao diretor, ninguém escapou das consequências de um vírus que não sabiam como deter. Todos sentiram medo, desespero, frustração, dor e exaustão…
Diante da lente, 150 profissionais dos hospitais Gregorio Marañón, Puerta del Hierro e Sureste desabaram, um por um. “Eu queria oferecer a eles um lugar de descanso e tranquilidade, onde pudessem se sentir à vontade. Pensei que assim eles me contariam como estavam, mas nunca imaginei que o que tinham por dentro fosse isso”, diz Brandão, de olhos marejados e voz embargada, ao olhar para os 30 retratos expostos. “As notícias falavam do colapso do sistema de saúde, mas quem estava colapsando eram as pessoas.”
“NÓS SÓ FIZEMOS O NOSSO TRABALHO”
Os profissionais de saúde afirmam que, se fossem heróis, teriam superpoderes e não teriam faltado leitos, medicamentos ou oxigênio, e reforçam que “nós só fizemos o nosso trabalho”. Foi o que reiterou o Dr. José Eugenio Guerrero Sanz, chefe da UTI do Hospital Gregorio Marañón, em Madri, ao receber o Prêmio Princesa das Astúrias da Concórdia em nome de todos os profissionais de saúde, em 16 de outubro.
O Dr. José Félix Hoyo, presidente dos Médicos do Mundo, também afirmou isso durante a apresentação da exposição Time to Heal. E Emilia Brandão repete: “Eles são apenas humanos, não heróis. Pessoas que fizeram um esforço enorme.”

