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Vogue Espanha com autorretrato a preto e branco de Emilia Brandão Carneiro, embaixadora Leica, em artigo sobre autorretrato

Do ‘selfie’ ao autorretrato: 5 dicas para fotografar-se com intenção artística

Emilia Brandão, fotógrafa embaixadora da Leica, compartilha suas técnicas pessoais para elevar seus autorretratos a um nível de excelência.
Por Vogue para Leica

27 de novembro de 2020

 

“Entendo os selfies e autorretratos como fotografias ‘semelhantes’ porque o tema de ambos é o eu mesmo como sujeito principal da composição, mas, ao aprofundar-se nisso, há muitas características fundamentais que os distinguem”, explica a fotógrafa brasileira embaixadora da Leica, Emilia Brandão. Ela é a responsável por compartilhar com Vogue Espanha suas reflexões e truques que mais funcionam na hora de elevar a qualidade de seu trabalho.

Em palavras de Emilia Brandão:

“Quando faço um selfie, geralmente o faço com o celular, e a intenção é ser apenas uma foto instantânea, registrar um momento, comunicar uma mensagem fácil de visualizar (um sorriso, um abraço com um amigo). Não exige muita interpretação da pessoa que vê a imagem, nem contém muita carga emocional ou conceitual. Um selfie simplesmente acontece.

Mas, quando me proponho a fazer um autorretrato, há uma reflexão da minha parte e convida à reflexão de quem observa. Pode tratar de temas distintos, como a identidade, uma investigação do ser. Um autorretrato se produz, se cria. Há um contexto, uma execução, uma intenção, uma narrativa. É, acima de tudo, uma forma autêntica de autorrepresentação, uma prática de autorreflexão. Não é necessário que mais ninguém o veja.

Aos que querem fazer um autorretrato, aconselho que tenham uma câmera intimista (como, por exemplo, uma Leica), que entrem em contato com seu EU, no momento, no tempo e no espaço em que vivem. É preciso ter coragem para explorar questões pessoais sem medo e tentar capturar com a câmera essa parte da alma que normalmente não se mostra nem a si mesmo”.

Dicas que melhorarão suas fotografias:

1. **Anote suas ideias.** Comece a contextualizar suas ideias, criar uma narrativa, pensar no que deseja comunicar, no que quer transmitir. É um momento de autorreflexão. Se estiver sem ideias, busque referências visuais para criar mentalmente a imagem que refletirá esse EU que você deseja plasmar em seu autorretrato.

2. **Inspiração.** Procure referências fotográficas para nutrir sua imaginação, para escapar do piloto automático e criar algo autêntico, com sua essência. Aqui estão algumas das minhas inspirações: Cindy Sherman, Francesca Woodman, Viviane Mayer, Sophie Calle, Robert Mapplethorpe.

3. **Prepare-se!** Prepare os elementos estéticos e técnicos que você precisa para a execução: câmera, tripé, disparador, luz, fundo, adereços, ambiente… etc.

4. **Agora que tudo está pronto, você tem um desafio: posar para sua própria câmera.** Não se trata de tirar um selfie com o celular; um autorretrato requer uma relação com a câmera. Você pode colocá-la em um tripé e tirar as fotos com um disparador (ou com o aplicativo do celular, por exemplo) ou segurá-la na mão diante de um espelho. Mas o importante é saber que a câmera está a seu serviço e não parar de fotografar até que tenha algo que te represente.

5. **O mais simples é simplesmente se deixar levar pelo processo criativo.** Improvisar, deixar sentir e não parar de fotografar até obter uma versão de si mesmo que você deseja levar consigo em sua história.

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