GLAMOUR | entrevista

Fotógrafa registra profissionais na linha de frente contra a covid-19 em Madri

Projeto “Tempo de Cura”, da brasileira Emilia Brandão, passou por 3 hospitais e retratou equipes da limpeza, administração, médicos e enfermeiros

Por Depoimento à Stefani Sousa; Fotos Emilia Brandão

Em entrevista à Glamour, a brasileira Emilia Brandão, 37, compartilha detalhes dos seus dias fotografando profissionais da saúde que estão no fronte contra o coronavírus em hospitais de Madri, na Espanha. Na cidade em que vive e está confinada com o marido e seus dois filhos, a fotógrafa descobre vivências de amor, luta e esperança no projeto “Tempo de Cura“. Entenda abaixo:

“Confinada em casa desde o começo de março, senti que precisava sair da minha zona de conforto e registrar onde a guerra está acontecendo. Foi então que, à convite da Leica, marca de câmeras profissionais, decidi oferecer um registro histórico para quem trabalha na linha de frente e proporcionar um olhar de amor para essas pessoas que estão muito carentes de afeto.

Eu estava esperando que os profissionais falassem de coisas do hospital, mas fomos muito além. Foi uma experiência muito transformadora. Três hospitais de Madri abriram suas portas e tive a honra de fotografar 150 pessoas, desde médicos e enfermeiros a profissionais da limpeza e administração.

Eu pensei estar preparada para histórias de vida no hospital, sobre morte e doença, mas fui surpreendida por narrativas de sacrifícios pessoais por parte dos profissionais de saúde. Isso me afundou.

Havia um padrão nas sessões. Os profissionais de saúde chegavam empolgados com as fotos, tinham um sorriso no rosto, mas essa energia desaparecia quando estavam sozinhos comigo. A intimidade e a confiança entre nós foi muito especial e eles começaram a compartilhar suas histórias.

Todos os dias, exaustos, médicos e enfermeiros enfrentam longos turnos de 12 a 16 horas de
trabalho diário. Eles estão emocional e fisicamente exaustos, não apenas por causa do
trabalho que realizam, mas por tudo o que vem ao enfrentar a situação.

Nós os chamamos de heróis, mas falando com eles pude entender que essa palavra também estava causando um enorme estresse. Por mais extraordinário que seja o trabalho que estão realizando, fica claro que estão perto do colapso.